O medo da pequenez

Um bloqueio psicológico que muitos fisiculturistas enfrentam quando empreendem o treinamento para competição tem a ver com sua percepção de seu tamanho físico. Sejam quais forem os outros motivos que eles possam ter para chegar ao treinamento em primeiro lugar, parte dele é sempre o desejo de ficar grande e forte. Assim qualquer coisa que os faça sentir menores torna-se uma ameaça. É por isso que muitos fisiculturistas ficam ansiosos com os efeitos do treinamento para competição.

O físico de competição deve ter o máximo de massa magra pura com qualquer excesso de gordura eliminado. Como diz o ditado “não se pode flexionar gordura”. Mas a gordura no seu corpo faz você se sentir maior do que realmente é, e essa sensação de ser maior é psicologicamente prazerosa para maioria dos fisiculturistas.

Uma pessoa que pesa 109kg com 16% de gordura corporal seria magra para um homem médio, mas não para um fisiculturista competidor. Quando ele começa a treinar e fazer dieta para competição, altera sua composição corporal de modo que no final das contas, baixa para 9% de gordura corporal. O que essa mudança significa em termos práticos?

Com 109kg ele possuía quase 17kg de gordura. Sua massa corporal magra era, portanto, em torno de 92kg. Com 9% de gordura estará pesando 101kg assumindo que não tenha perdido nada de massa muscular. Assim, em termos de músculo, ele terá o mesmo tamanho, mas se sentirá muito menor. E essa sensação de pequenez afeta alguns indivíduos a ponto de se acharem incapazes de continuar seu programa.

Eu mesmo já passei por essa experiência. Quando vim para a América em 1968, para a competição de Mister Universo da IFBB, pesava 111kg. Pensei que já estava ganho. Joe Weider me olhou e disse que eu era o maior fisiculturista que existia. Aqui estava eu na América pra mostrar a todos como eu era grande – e perdi! Frank Zane conquistou o título com seu físico menor mas de alta qualidade. Isso me ensinou uma valiosa lição.

Um ano depois, com 104kg, dominei completamente meus competidores e venci o Mister Universo da NABBA e da IFBB. Percebi que a grandeza absoluta sozinha não era o negócio dos grandes campeões. Não eliminei o peso de gordura extra em dois meses: levou um ano inteiro. Por ter levado todo esse tempo consegui acostumar-me as minhas novas proporções, a dar-me conta que o peso mais leve não me fazia realmente menor – meus braços ainda eram enormes assim como as pernas. Mas todas minhas roupas estavam folgadas na cintura indicando uma perda real de volume indesejado. O resultado? Mudando minha composição corporal venci todos os campeonatos de que participei.

A massa é vital para o físico de um fisiculturista, mas é a forma e a qualidade dessa massa que vencem os campeonatos. Ver grandes números em uma fita métrica ou balança, ou ansiar pela sensação de roupas apertando no corpo todo e não dar atenção suficiente para a eliminação de gordura o alcance da definição máxima e qualidade de competição, trará um resultado inevitável – você perderá. E isso eu posso dizer por experiência própria.

Arnold Schwarzenegger

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